-Confissões ao meio da noite
Nunca é fácil quando a tua antiga parceira vem á tua casa e anuncia que vai passar lá um tempo indefinido para que as duas possam sincronizar-se de novo para voltarem a actuar juntas. É como se estivesses em constante proibição...
Mas quando estás perdida de amores por essa pessoa, e não fazes a mínima de como deves te comportar de maneira a ela o não perceber, é chato como o caraças.
Bem vindo á vida de Sora Naegino, quando tão perto, mas ainda tão longe, está só a dez centímetros de distância durante vinte e três horas por dia todos os dias( ao menos tomam banho separadamente), “chato como o caraças” é um termo adequado á situação.
“Não posso acreditar nisto... Layla está no meu quarto. Ela está a dormir no meu quarto.” Sora pensa para ela mesma enquanto se inclina sobre a sua cama para ver de realce a mulher jovem a dormir no seu saco-cama. “E ela parece ridiculosamente linda a dormir no meu quarto.”
Um Fool maravilhado observa as duas raparigas, e só para adicionar um pouco de incomodo na situação, ocupou-se de dizer a coisa que a Sora não queria que ele falasse.
A jovem rapariga de cabelo rosa sentiu como se os seu pensamentos mais íntimos da sua mente e coração estivessem a ser-lhe apresentados outra e outra vez pelas palavras do Fool, tão regulares e verdadeiras como a batida do seu coração.
“Como é que ele me consegue ler tão bem?” pensa Sora para si mesma. “Como é que ele pode saber o que se esconde no meu coração? É como, se as suas palavras me percorriam a alma... ele está a dizer todas as palavras que eu sempre quis ouvir, mas tive medo de admitir isso a mim mesma...”
O espírito estava a flutuar por cima das duas raparigas enquanto cantava a seguinte canção...
Sora e Layla em cima de uma arvore a... B-E-I-J-A-R-E-M-S-E
Cinco minutos depois... quando o Fool já está a ficar com a garganta rouca e a Sora já estava seriamente a ponderar a ir buscar uma arvore algures, o espírito do palco decide dizer uma simples frase.
“Tu sabes que sabes.”
Ao olhar a cara de dúvida da Sora, Fool percebe que se calhar a frase foi simples de mais e decide tentar de novo.
“Deves lhe dizer o que sentes.” disse ele.
“Dizer-lhe o quê?” pergunta a Sora, mais uma vez provando que é uma grande candidata ao titulo de “rapariga permanentemente confusa”.
Fool rola os seus olhos. “Fogo, não me admira que ela me consiga ver... os nossos nomes são praticamente idênticos.”
“Diz-lhe que a amas.” disse ele, adicionando um “duh”.
“Então está bem...” respondeu Sora. “Faço já isso. Ei Senhorita Layla, quer a razão perfeita para me finalmente me dar um pontapé no traseiro? Então aqui vai... Eu estou completamente apaixonada por si! Quero namorar consigo... provavelmente viver consigo e mais tarde, se as nossas agendas permitirem... casar consigo. Então o que diz? Isso é um sim? Ou um vai para o inferno?”
Atirando umas das almofadas ao Fool, Sora então põe a cabeça debaixo da sua almofada.
“Tu não és um Fool, és um idiota!” murmura Sora debaixo da almofada.
“Sora... dorme agora por favor... falamos sobre isso amanhã... e por favor diz ao Fool para estar quieto até amanhã de manhã... ele já me está a fazer dores de cabeça.”
Naquele momento Sora sentiu-se como uma pessoa que tinha sido quase atropelada... perguntando-se donde tinha vindo o raio do carro... e se ainda estaria viva.
No caso da Sora ela decide responder a segunda questão com um simples teste...
Saindo a correr do quarto e em direcção á praia a jovem deduziu que se ela pudesse afogar-se a si própria, então ela estaria viva na situação anterior... infelizmente para ela, o seu plano imperfeito e idiótico foi facilmente parado por uma loira.
Mesmo com toda a prática que tinha tido ultimamente, Sora a correr mais que a Layla era daquelas coisas impossíveis de acontecer.
“Então eu peço-te para dormires... e tu fazes-me perseguir-te até á praia?” Pergunta Layla enquanto esfrega o sono fora dos seus olhos.
Fool, que foi atrás delas, finalmente as apanhou e pôs-se á frente da cara da Layla, bloqueando a sua visão e fazendo que a Sora pensasse de novo em fugir.
“Bem, olááá.” disse Fool enquanto fazia a sua melhor actuação de “gajo bebâdo a tentar engatar-te”. “Acho que nós não fomos apresentados como deve ser... o meu nome é...”
“Fool.” termina Sora depois de ter decidido em não fugir.
“O nome assenta-lhe que nem uma luva...” disse Layla.
“Não o precisavas de o dizer dessa maneira” disse Fool um pouco irritado.
“Sora, sobre o que tu dizes-te quando pensavas que estava a dormir.” começou Layla.
“Oook, elas começaram a ignorar-me.” disse Fool... principalmente para ele mesmo, ficando um pouco ofendido quando a Sora começou a apontar para ele.
“Ele fez-me dize-lo.” Declarou Sora enquanto apontava para o espírito. “Ele pode não parecer mas ele têm poderes hipnóticos que faz as pessoas dizerem frases assustadoras de se ouvir...”
Layla simplesmente olhou para ela.
Sora então mudou de atitude e limpou a sua garganta antes de continuar.
“Não estás a acreditar? Ok ok umm... Na verdade sou sonâmbula... e aquilo de antes... era tudo falar ao dormir... bem como agora... uh...”
Enquanto a Sora tinha decidido fazer de conta que estava a ressonar, Layla não aguentou mais e largou um pequeno mas charmoso sorriso.
Fool flutuou por cima da Sora e deu-lhe um palmadinha gentil nas costas.
“Tenho pena miúda.” disse ele. “Ela está a rir porque pensa que és uma maluca.”
“Não estou nada!” disse uma Layla ainda espantada enquanto afastava um pouco o Fool.
“Olha Sora... Devo admitir que a tua pequena confissão foi surpreendente, mas de maneira nenhuma é má vinda...”
“Claro que não, deves recebe-las diariamente... Quer dizer, basta olhar para ti...”
“Sora não é isso, sinto-me muito elogiada...”
“Até já tens esse grande discurso preparado para decepcionar gentilmente as pessoas de maneira a tu não lhes magoar os sentimentos...”
“Não Sora, realmente percebeste tudo mal, eu...”
“E depois de os ter decepcionado gentilmente eles retornam para as suas vidas normais porque eles não têm permissão para estarem contigo e...”
Enquanto a Sora continuava a sua longa... longa explicação sobre nada em particular, Layla deu um olhar ao Fool que parecia pedir a sua ajuda.
Dando-lhe um encolher de braços que no essencial dizia “desculpa, mas não sei o que fazer” Layla viu-se forçada a tomar conta do assunto por si própria e gentilmente pôs a sua mão quente na bochecha da Sora.
Não estando satisfeita com uma simples troca de olhares com a Sora, Layla aproximou as suas caras e suavemente encostou os seus lábios aos da Sora. Vendo se estava tudo bem com a sua antiga parceira, Layla foi recebida por um corar engraçado, um sorriso tímido e um beijo profundo.
Vendo como elas estavam juntas pela boca, foi impressionante ver como as duas raparigas chegaram são e salvas de volta ao quarto da Sora em menos de dez segundos...
Fool demorou o seu tempo em voltar para o quarto já que passou um momento ou dois admirando a atmosfera criada pelo jovem amor.
Enquanto ele sorria e contemplava a maneira doce como as duas raparigas finalmente se juntaram, não consegui evitar em pensar para si mesmo...
“Wow, aquilo foi uma boa maneira de a calar.”
Quando ele finalmente regressou ao quarto da Sora e aparentemente da Layla também,
Fool foi impedido de entrar por uma porta trancada.
“Ei... o que, vocês trancaram a porta? Eu não consigo atravessar objectos sólidos caso não saibam! Isso não está no meu currículo! Ei!! Deixem-me entrar! Estou a ouvir coisas marotas a acontecerem!!”